Quem é?

TseringTsering Paldron (Emília Marques Rosa) nasceu e estudou em Lisboa. As suas inquietações existenciais começaram cedo e, durante anos, não encontraram respostas. Embora tenha procurado em várias religiões e filosofias, nada parecia responder consistentemente à pergunta dolorosa que teimava em a atormentar: qual o sentido da vida? Será que vivemos apenas para comer, dormir e reproduzir-nos? Ou haverá algo mais? A Tsering diz:

 

Algo me dizia que o mundo era mais do que aquilo que podemos ver mas nada parecia confirmar esta hipótese. Tinha tudo - ou em todo o caso o suficiente - para ser feliz mas não conseguia sê-lo. Percebi então que era uma capacidade que me faltava.

Em 1973, por razões pessoais, deixei Portugal e fui viver para Bruxelas. O acaso, ou o karma, fez com que me cruzasse com o budismo tibetano na pessoa de Lama Kunzang. Nas primeiras palestras que ouvi tive a certeza de que tinha encontrado o caminho e as respostas às minhas perguntas. Decidi então que não havia nada mais importante na vida do que alcançar a paz interior que me faltava e tornei-me budista em 1974.

É perfeitamente possível ser-se budista e não se ter um mestre. Eu, no entanto, tive a sorte de, não somente ter um mestre, mas ter com ele uma relação muito próxima e de grande confiança. Como era muito nova quando o conheci, os seus ensinamentos penetraram no mais profundo do meu ser e a minha gratidão por tudo o que ele me ensinou é infindável.

Vivi seis anos num centro no Sul de França, voltei para Bruxelas por mais quatro e, finalmente, entre 1984 e 1988 fiz o tradicional retiro de três anos na Dordogne, França, sob a direcção espiritual de Dudjom Rinpotché, Dilgo Khyentsé Rinpotché dois dos maiores Lamas contemporâneos (entretanto já falecidos), e Tsetrul Pema Wangyal Rinpotché. Fazer esse retiro foi certamente um dos marcos da minha vida.

O retiro de três anos (três meses e três dias) é um retiro de grupo centrado na prática da meditação e no estudo dos textos. Com uma média de 11 horas diárias de meditação e orações, é uma excelente oportunidade para aprendermos a conhecer o nosso espírito e aplicar os métodos de transformação que o budismo nos oferece.

A Tsering recebeu ensinamentos e iniciações de muitos Lamas, fez algumas viagens ao oriente e duas peregrinações aos lugares sagrados do budismo na Índia, Nepal e Butão.
Em 1992 começou a ensinar o budismo, a pedido do seu mestre, e essa tem sido a sua principal actividade desde então.
Voltou para Portugal em 1996, onde tem vivido desde então apesar de viajar bastante.
Em 1999 tomou votos laicos com Trulshik Rinpoche. Está ligada à Ogyen Kunzang Choling, escola do budismo tibetano Nyingma. É convidada para dar seminários, palestras, cursos e orientar retiros em Portugal, França, Bélgica, Inglaterra e Tahiti.
Escreveu dois livros sobre budismo "A arte da vida" e "A alquimia da dor" e um terceiro, "A dignidade e o sentido da vida" sobre cuidados paliativos em colaboração com outros autores. A sua mais recente publicação é um livro de contos infantis "As aventuras de Tachi, o grilo tibetano".
É ainda vice-presidente da União Budista Portuguesa e Presidente da Amara, Associação pela Dignidade na Vida e na Morte.